Rádio Alvorada

quinta-feira, 25 de junho de 2020

MP quer que TCU investigue a empresa ligada à ex-mulher de Frederick Wassef


O subprocurador geral do Ministério Público de Contas, Lucas Rocha Furtado, enviou representação ao Tribunal de Contas da União pedindo seja investigam possíveis irregularidades, inclusive tráfico de influência, na contratação da empresa 
Globalweb Outsourcing pelo governo federal. A empresa presta serviços ao Ministério da Educação e a outros órgãos federais.

Furtado afirma que a referida empresa teria sido criada por Maria Cristina Boner Leo, ex-esposa de 
Frederick Wassef, advogado do Senador Flávio Bolsonaro, figurando o nome Bruna Boner Leo Silva, filha dela, como sócia-administradora da empresa.

Chamou a atenção do subprocurador o fato de o volume de pagamentos à empresa ter sofrido aumento considerável durante a gestão Bolsonaro. Nesse sentido, afirmou terem sido "pagos, entre janeiro/2019 e junho/2020, R$ 46.100.556,79 (aí não considerado o contrato firmado com o BNDES), contra os R$ 42.411.621,12 pagos à Globalweb Outsourcing entre 2015 e 2018 (fonte: Portal da Transparência)."

Além disso, o representante do MP informou que Maria Cristina, após ser condenada por improbidade administrativa, está impedida de contratar com o poder público ou receber benefícios creditícios pelo período de três anos. Tal condenação ocorreu no âmbito da Operação Caixa de Pandora, que apurou o direcionamento de licitação para a contratação pela 
CODEPLAN (empresa pública do Distrito Federal) da pessoa jurídica B2BR, da qual a ex-esposa de Wassef era representante.

A despeito de  Maria Cristina não constar formalmente do quadro societário da Globalweb, Furtado ponderou que os indícios apontados levantam "suspeitas quanto à eventual prática de tráfico de influência, com vistas a favorecer empresa pertencente a pessoas que mantêm relação pessoal com a família do Presidente."

A petição será distribuída a um ministro do TCU, que relatará o processo.


sexta-feira, 19 de junho de 2020

Ministério Público aponta superfaturamento na compra de matéria-prima da cloroquina pelo Exército


O subprocurador-geral do Ministério Público de Contas, Lucas Rocha Furtado, enviou ao Tribunal de Contas da União - TCU um pedido para abertura de investigação sobre o possível superfaturamento na compra de insumos para produção de cloroquina pelo Exército Brasileiro.

No pedido encaminhado ontem, o subprocurador também pede que a investigação avalie a gestão de risco envolvida na decisão e que apure a responsabilidade direta do presidente Jair Bolsonaro na orientação e determinação para o aumento dessa produção, sem que houvesse comprovação médica ou científica de que o medicamento seja útil para o tratamento da covid-19.

De acordo com a representação, o L
aboratório Químico e Farmacêutico do Exército comprou em maio, sem licitação, 500 quilos do sal difosfato, matéria-prima da cloroquina, por R$ 652 mil. O preço do quilo (R$ 1.304) custou quase seis vezes o valor desembolsado pelo Ministério da Saúde em contrato assinado com o mesmo fornecedor em maio de 2019, quando o governo federal gastou R$ 219,98 por quilo.

Além disso, o subprocurador-geral questionou o aumento na produção de cloroquina. De acordo com ele, em março e abril deste ano, o Exército produziu R$ 1,25 milhão de comprimidos de 150 mg a um custo de R$ 261,5 mil. Esse número é 84 vezes superior à produção de 2017 a 2019, quando foram fabricados 254 mil comprimidos, no valor total de 55,6 mil.


De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a contratada, empresa Sulminas Suplementos e Nutrição Ltda., alegou que o aumento do valor do insumo decorreu do incremento da demanda mundial pelo produto, do aumento do preço do frete e da cotação do dólar.